D. PEDRO I, O REI CRUEL, OBCECADO E BISSEXUAL

dom pedro I

Em Fevereiro de 1355, Portu­gal era cenário de uma pavorosa guerra civil.
D. Pedro ,o herdeiro do trono, atacava pro­víncias inteiras, conquistava cas­telos, arrasava terras de cultivo.
O motivo de tamanha fúria?
O pai, D. Afonso IV, mandara matar a sua amante, Inês de Castro.
Inês era filha de um nobre galego, Pedro Fernandez de Castro, e chegara a Portugal em 1340, como dama de companhia da mulher do infante D. Pedro, D. Constança Manuel.
Muito bela, em breve Inês tornou-se amante de D. Pedro.
Talvez para acabar com a relação entre a amiga e o marido, D. Constança convidou-a para madrinha do seu segundo filho, D. Luís, que morreu com menos de um mês.
A própria D. Constança morreu pouco depois de dar à luz o futuro rei D. Fernando, em 1345.
Viúvo, D. Pedro assumiu o concubi­nato, para escândalo da corte.
A paixão por Inês era apontada como a razão do desinteresse do infante pelos assuntos do governo, num país assolado pela Peste Negra.
A união entre o futuro rei e a fidalga galega poderia ter graves conse­quências políticas. Inês teve qua­tro filhos de D. Pedro, dos quais sobreviveram três, incluindo dois varões (D. João e D. Dinis).
Seu pai, D. Afonso IV, com receio de que a relação de D. Pedro com Inês pusesse em causa os direitos de D. Fernando, herdeiro legítimo de D. Pedro (os irmão de Inês constituíam uma ameaça devido à sua influência em Portugal), dá ouvidos aos seus conselheiros Pêro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pache­co – este último conhecido ini­migo dos Castros – e manda-os matar Inês.
Os três degolaram-na em Coimbra, a 7 de Janeiro de 1355, enquanto D. Pedro andava à caça.
Quando a viu morta, desencadeou uma guerra civil que só terminou em Agosto de 1356.
D. Afonso IV morreu no ano seguinte.
Obceca­do pela vingança, o novo rei fez um acordo de extradição com o primo do mesmo nome – Pedro I, "o Cru", rei de Castela -, a quem entregou dois nobres castelhanos exilados em Portugal em troca de Álvaro Gonçalves e de Pêro Coelho, que se tinham refugiado naquele reino.
Diogo Lopes Pa­checo fugiu para França e salvou-se.
Os dois assassinos foram levados para Santarém, onde D. Pedro, segundo relata Fernão Lopes, "a Pêro Coelho mandou arrancar o coração pelo peito e a Álvaro Gonçalves pelas espá­duas. E tudo o que se passou seria coisa dolorosa de ouvir. Finalmente el-rei mandou-os queimar. E tudo foi feito diante dos paços onde ele estava, de maneira que, enquanto comia, olhava o que mandava fazer".
Em Julho de 1360, D. Pedro surpreendeu a corte ao afirmar que, seis anos antes, casara secretamente com Inês de Castro. Pouco depois mandou trasladar os restos mortais desta para o Mosteiro de Alcobaça.
O trauma causado pela morte brutal da amante ajuda a explicar alguns traços do carácter de D. Pedro, que aliás se revelou um bom rei: manteve a paz externa
e consolidou a independência de Portugal face à Igreja através do ‘beneplácito régio’, que fazia de­pender da autorização real a divul­gação dos documentos do Papa.
Os historiadores hesitam no cognome de D. Pedro: se para uns foi "o Justiceiro", para outros foi "o Cru", como o primo caste­lhano.
A sua ânsia em fazer justiça ficou manchada pelo prazer em executá-la pelas próprias mãos, incluindo a participação na tortura dos presos: "Ele mesmo punha em eles a mão, quando via que confessar não queriam, ferindo-os cruelmente até que confessa­vam", lembra Fernão Lopes.
O tormento fazia parte da justiça medieval e D. Pedro, epiléptico e gago, fez por merecer ambos os cognomes com que passou à história.
Além de D. Constança Manuel, Inês de Castro e Teresa, Pedro teve pelo menos mais uma paixão: o escudeiro Afonso Madeira, a quem "amava mais do que se deve aqui dizer", no dito maroto de Fernão Lopes.
O escudeiro acabou mal. Meteu­-se com uma dama da corte, o rei não gostou e – outra vez Fernão Lopes – mandou "cortar­-lhe aqueles membros que os homens em mais apreço têm". Do mal o menos: ‘:Afonso Madei­ra foi pensado e curou-se mas engrossou nas pernas e no cor­po e viveu alguns anos com o rosto engelhado e sem barba".
D. Pedro reinou durante dez anos, conseguindo ser extremamente popular, ao ponto de dizerem as gentes «que taaes dez annos nunca ouve em Purtugal como estes que reinara elRei Dom Pedro».
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Uma resposta a D. PEDRO I, O REI CRUEL, OBCECADO E BISSEXUAL

  1. Margarida diz:

    Caro amigoEsta história acabei eu de ler no final de 2008Sim é das mais cruas e das mais belas , pois eles tiveram uma paixão para além da morte.Ainda hoje se evoca este amor de D. Inês e de D. Pedro como dos mais trágicos e belos.Peço desculpas pela minha ausência , mas amigos , que o são , mesmo á distância se lembram…Desta com amizadeMargarida by Alda

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