D. FERNANDO, O INFANTE QUE FOI “SANTO” À FORÇA

 

No meu livro da 4ª classe aprendi que “ D. Fernando pediu insistentemente que não se entregasse a praça de Ceuta, como os moiros impunham por condição do seu resgate, dando assim um belo exemplo de amor à Pátria”.

Anos mais tarde cheguei à conclusão que tinha andado iludido.

Na realidade, o infante pediu repe­tidamente que lhe salvassem a vida – foi "santo’ à força.

Vejamos os factos:

Em 1437 D. Fernando participa numa expedição militar ao Norte de África, comandada pelo irmão mais velho o Infante D. Henrique, mas com o voto desfavorável dos outros infantes, Pedro, Duque de Coimbra e João, Infante de Portugal.

A campanha revelou-se um desastre e, para evitar a chacina total dos portugueses, estabelece-se uma rendição pela qual as forças portuguesas se retiram, deixando o infante como penhor da devolução de Ceuta (conquistada pelos portugueses em 1415).

De regresso a Portugal, D. Henrique deu conta ao rei do desaire e do compromisso que assumira.

Perante a gravidade da situação – entregar Ceuta, significava renunciar à primeira conquista em África – D. Duarte decidiu convocar a assembleia mais importante do reino.

Nas Cortes reunidas em Leiria, os representantes do clero, da nobreza e dos concelhos começaram por ouvir a leitura de uma carta enviada de Arzila, para onde D. Fernando tinha sido levado. Na mensagem, o infante dirigia-se ao rei pedindo-lhe que cumprisse o acordo assumido por D. Henrique: que entregasse Ceuta e o libertasse.

Os infantes D. Pedro (futuro re­gente do reino) e D. João, com alguns fidalgos e a maior parte dos procuradores dos concelhos (o "povo") manifestaram-se pela entrega de Ceuta e pela libertação de D. Fernando.

Outro grupo manifestou-se a favor do resgate do infante por outros meios, diplomáticos e militares, in­cluindo nova expedição a Marrocos que obrigasse os mouros a libertá­-lo; não punha de lado, no entanto, a hipótese de entregar Ceuta.

O arcebispo de Braga, D. Fernando da Guerra (bisneto de D. Pedro e D. Inês), apoiado pela maioria do clero, opôs-se à entrega de Ceuta sem licença do Papa, uma vez que se tratava de terra cristã que não deveria voltar a ser muçulmana. A maioria dos nobres, encabeçada pelo conde de Arraiolos (depois duque de Bragança), recusou em definitivo entregar Ceuta.

O infante D. Henrique não foi às Cortes de Leiria. Os participantes apontaram-lhe responsabilidades pelo falhanço de Tânger e cen­suraram a sua inabilidade como chefe militar. Apesar disso, encon­trou-se a sós com o rei e deu-lhe o seu parecer: Ceuta não devia ser entregue em nenhum caso. D. Duarte morreu de peste meses depois, em Setembro de 1438, com 46 anos. No seu testamento deixou a vontade de libertar o irmão, ainda que em troca de Ceuta.

Fernando foi entretanto levado para Fez, sendo tratado ora com todas as honras, ora como um prisioneiro de baixa condição (sobretudo depois de uma tentativa de evasão gorada, patrocinada por Portugal). Daí escreve ao seu irmão D. Pedro, então regente do reino, um apelo patético, pedindo a sua libertação a troco de Ceuta.

O infante D. Pedro, regente em nome do menino D. Afonso V, tentou negociar a sua libertação. A correspondência com D. Fernan­do manteve-se até, pelo menos, 1442 – data da última carta que mandou a D. Pedro. "Sempre pen­sei que antes da morte vos veria", escreveu.

Morreu de disenteria, em Junho ou Julho de 1443, com 40 anos.

Quando D. Afonso V conquistou finalmente Tânger, em 1471, os restos mortais de D. Fernando foram trasladados para o mosteiro da Batalha, onde hoje repousam ao lado dos pais e irmãos, na Capela do Fundador.

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Uma resposta a D. FERNANDO, O INFANTE QUE FOI “SANTO” À FORÇA

  1. AnnA diz:

    loucooooooooooooooseja qual nome és loucooooooooooooonao apagas mais nada que eu nao vou deichareu te loveAL

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