D. AFONSO IV E A BATALHA DO SALADO

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Quando subiu ao trono, em 1325, D. Afonso IV preferia passar o tempo em caçadas.

Um dos seus conselheiros teve a coragem de lhe dizer na cara que era preciso deixar-se de distrac­ções e cumprir os deveres de rei, senão…

"Senão o quê?", perguntou-lhe D. Afonso.

"Senão, não", respondeu o outro.

O rei percebeu. Entrou em guerras com o meio-irmão Afonso Sanches, com o genro castelhano, com os mouros e até com o filho D. Pedro, depois de mandar matar Inês de Castro – mas sempre em nome da razão de Estado e para defender os interesses do reino.

Pela valentia de que deu provas na batalha do Salado passou à história como "o Bravo".

 

É precisamente sobre o episódio da batalha do Salado que nos vamos debruçar a seguir.

 

Ao fim de seis séculos de ocupação, a presença islâmica na Península Ibérica estava em decadência. Foi então que os mouros de Granada, aliados aos de Marrocos, fizeram uma última demonstração de força na Andaluzia, e em 1340 conse­guiram abalar o reino de Castela.

Portugal, onde a Reconquista Cristã fora concluída quase cem anos antes, andava em guerra com os castelhanos mas no momento de perigo D. Afonso IV correu em auxt1io do vizinho.

A participação portuguesa foi fun­damental para a vitória na batalha do Salado, a 30 de Outubro de 1340, que pôs fim à última amea­ça dos muçulmanos em Espanha.

 

Na sequência da guerra que o rei de Granada (Yusef Abdul Hagiag) vinha a travar contra os cristãos desde o ano de 1339, o  mesmo pediu ajuda ao rei de Fez (Abul Hassan) em 1340. O marroquino atravessou o estrei­to de Gibraltar com uma frota de mais de 100 navios e destruiu a armada castelhana. Sem mari­nha para impedir o transporte de guerreiros mouros do Norte de África para a Península, o rei Afonso XI de Castela procurou o auxílio dos vizinhos do Ociden­te.

A tarefa afigurava-se difícil: desde 1336 que Portugal e Castela andavam em guerra.

O casamento de Afonso XI com D. Maria, filha de D. Afonso IV de Portugal, em 1328, devia ter selado uma aliança entre os dois países. No entanto, a relação, mantida publicamente, de Afonso XI com a amante Leonor de Guzman humilhou a princesa portuguesa, que recolheu a um convento. Para vingar a afronta feita à filha, D. Afonso IV invadiu o território do genro, apoiado por importantes nobres castelhanos, incluindo D. Juan Manuel- pai de D. Constança, mulher de D. Pedro, o príncipe herdeiro de Portugal.

O conflito luso-castelhano foi in­terrompido pela ameaça islâmica.

Afonso XI pediu a D. Maria que solicitasse ao pai ajuda militar. D. Afonso IV enviou de Lisboa uma frota comandada pelo almi­rante genovês Manuel Pessanha, que fora contratado ainda no tempo de D. Dinis para reformar a marinha portuguesa.

Mas o rei de Castela precisava de reforços urgentes.

D. Maria foi então ter com o pai a Évora, para lhe pedir que auxiliasse o marido.

D. Afonso IV fez-se rogado mas acabou por aceder.

Reuniu o exército português e, à frente de mil lanças, diri­giu-se a Sevilha.

Dali, no fim de Setembro, os dois reis partiram para Tarifa, no Sul da Andalu­zia, junto à costa. A ci­dade estava cercada pelos merínidas de Mar­rocos, do lado do mar, e pelos mouros de Gra­nada, do lado da mon­tanha.

Os cristãos ficaram impressionados ao ver o número dos inimigos: o cronista diz que "estavam os campos e vales e montanhas cobertas deles". Nos preparativos para a bata­lha ficou acordado que os castelhanos atacariam os marroquinos e os portugue­ses atacavam os de Granada.

A 30 de Outubro, "pela hora prima" (seis da manhã), os cavaleiros de Afonso XI atra­vessaram a ribeira do Salado e deram início à batalha, atacando a cavalaria de Abul Hassan.

Do lado da serra, D. Afonso IV, secundado pelo prior do Crato – D. Álvaro Gonçalves Pereira (pai de Nuno Álvares Pereira) -, pelo arcebispo de Braga, pelo bispo de Évora e pelo mestre de Avis, atacou os granadinos de Yusef Abdul Hagiag.

A lide foi "mui danosa e mui crua e sem piedade", lê-se no Livro de Linhagens do conde D. Pedro.

Pelo meio dia, entre mortos e feri­dos, os muçulmanos abandona­ram o campo de batalha, deixando as bagagens dos reis de Fez e de Granada, incluindo o tesouro e o harém.

Afonso XI convidou o sogro a escolher o que quisesse dos despojos, mas D. Afonso IV levou apenas uma cimitarra e um sobri­nho do rei de Fez como cativo.

Segundo o cronista Rui de Pina, o rei de Portugal respondeu ao genro que "quando de seus reinos viera em sua ajuda, por serviço de Deus e por sua honra e por defesa de sua terra, não fora com intenção dele nem os seus irem ricos, mas honrados e vitoriosos". Depois da batalha do Salada, os muçulmanos da Península acolheram-se aos muros de Granada, de onde acabaram por ser expulsos um século e meio mais tarde pelos Reis Católicos.

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Uma resposta a D. AFONSO IV E A BATALHA DO SALADO

  1. AnnA diz:

    Luz e bondadeSem veleidadeCom caridadeSem ver idadeNa feliz cidadeDa flor da eternidadeOnde habita a felicidadeDe sempre contar com tua amizade! Com todo o meu carinho!!! Tem um bom dia Amigo, saudades de caminhar contigo mão na mão! Tudo de bom! Beijos mil AnnA

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