VASCO DA GAMA, Percursor da Globalização

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VASCO DA GAMA, filho do alcai­de-mor de Sines, foi nomeado capitão-mor da expedição à Índia por D. João II. Após a sua morte, a nomeação foi confirmada por D. Manuel I.

Vasco da Gama tinha 28 anos quando partiu do Restelo, em 8 de Julho de 1497. A armada era composta por um navio de transporte, pela caravela Bérrio e pelas naus S. Rafael, comandada por Paulo da Gama (irmão mais velho de Vasco da Gama), e S. Gabriel, sob o comando do pró­prio capitão-mor, tendo como pilo­to Pêro de Alenquer.

A tripulação contava entre 150 e 170 homens. Só um terço havia de regressar.

Depois de uma primeira paragem na ilha de Santiago, em Cabo Ver­de, a frota dirigiu-se à Serra Leoa e a partir daí descreveu um longo arco para oeste para contornar os ventos contrários, até apanhar outros, já no hemisfério sul, que a levaram de novo à costa africana.

Só a 22 de Novembro, e após duas tentativas, dobraram o Cabo da Boa Esperança e fundearam na angra de S. Brás.

Continuando para norte, ao longo da costa oriental de África, chegaram em fins de Janeiro de 1498 ao rio que Vasco da Gama baptizou de Bons Sinais (Quelimane), por ali ter obtido informações sobre a presença de árabes. Foi nesse local que se verificaram os primei­ros casos de escorbuto.

Ao chegarem à ilha de Moçambi­que, no princípio de Março, os portugueses testemunharam o negócio daquilo que procuravam no Oriente: ouro, prata e, sobre­tudo, especiarias, como a pimenta e o cravo.

Em Abril desembar­caram em Mombaça (actual Quénia), mas sentiram-se em peri­go quando os locais descobriram que os visitantes eram cristãos. Só em Melinde, mais para norte, foram bem recebidos e contra­taram um piloto árabe que os conduziu ao destino.

Em Calecute (no actual estado indiano de Kerala), ao verem estátuas de deusas hindus nos templos, os portugueses julgaram ter estabelecido contacto com cristãos veneradores da Virgem Maria. Em breve se desengana­ram.

A tentativa de estabelecer relações diplomáticas com o entreposto comercial da costa do Malabar falhou devido à hostilida­de do samorim (soberano local), estimulada pelos mercadores muçulmanos – mas não só. Habi­tuados a lidar com chefes tribais da costa africana que se deixavam deslumbrar por contas de vidro e quinquilharia, os portugueses cometeram a gaffe de oferecer a um potentado habituado ao luxo asiático presentes que ele não podia deixar de considerar sim­plesmente insultuosos.

Ao fim de três meses de negocia­ções infrutíferas, a 29 de Agosto de 1498, os portugueses larga­ram de Calecute. A viagem de regresso foi longa e tormentosa, com grande parte da tripulação dizimada pelo escorbuto. Vasco da Gama só regressou a Lisboa em finais de Agosto ou início de Setembro de 1499, a bordo da S. Gabriel.

A boa nova da desco­berta da rota para a Índia fora trazi­da em Julho, pela caravela Bérrio.

O rei D. Manuel mostrou-se grato. Deu a Vasco da Gama e seus descendentes o titulo de Dom e o cargo de almirante da índia; atribuiu-lhe uma tença de 300 mil cruzados por ano; autorizou-o a trazer da Índia mercadorias no valor de 200 cru­zados por ano e a negociá-las no reino sem outros encargos além da vintena para a Ordem de Cristo; e prometeu doar-lhe a vila de Sines – o que nunca cumpriu. Mais tarde, acabou por conceder-lhe a Vidigueira, com o titulo de conde.

Voltaria mais duas vezes à Índia – em 1502 e em 1524 -, de que foi governador e segundo vice-rei para lutar contra os abusos existentes que punham em causa a presença portuguesa na região.

Vasco da Gama começou a actuar rigidamente e conseguiu impor a ordem, mas veio a falecer em Dezembro desse mesmo ano em Cochim, sendo os seus restos mortais trazidos para Portugal, mais concretamente para a Igreja de um convento carmelita, conhecido actualmente como Quinta do Carmo (hoje propriedade privada).

 

Vasco da Gama morreu em Cochim, como vice-rei, durante a sua terceira viagem à índia, na noite de Natal de 1524.

A presença de seus restos mortais na vila alentejana da Vidigueira prende-se ao facto de o soberano lhe ter atribuído o título de conde da Vidigueira de juro e herdade (ou seja a si e aos seus descendentes) em 1519. Aqui estiveram até 1880, data em que ocorreu a trasladação para o Mosteiro dos Jerónimos ficando ao lado do túmulo de Luís Vaz de Camões. Há quem defenda, porém que, os ossos de Vasco da Gama ainda se encontram naquela vila alentejana. Como testemunho da trasladação das ossadas, em frente à estátua do navegador em Vidigueira, existe a antiga Escola Primária Vasco da Gama (cuja construção serviu de moeda de troca para obter permissão para efectuar a trasladação à época), onde se encontra instalado o Museu Municipal de Vidigueira.

 

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