D. CATARINA DE BRAGANÇA E AS INFIDELIDADES DO MARIDO

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O casamento entre a princesa D. Catarina de Bragança (1638­-1705), filha de D.João IV, e o rei Carlos II de Inglaterra foi uma vitória para a diplomacia portuguesa na Guerra da Restauração contra a Espanha. A cerimónia realizada em Portsmouth, a 30 de Maio de, contri­buiu para o reconhecimento pelas potências europeias da indepen­dência reconquistada em 1640. Uma consequência imediata foi a chegada a Portugal de 2700 solda­dos ingleses bem preparados, que foram guarnecer o Alentejo, onde a guerra era mais acesa.

Apesar do brilho da boda, o enlace não foi feliz. A princesa tinha 23 anos e ia partir para um casamento destinado a durar outros 23. Saiu de Lisboa com grande pompa,

a bordo do navio Royal Charles, comandado pelo conde de Sandwich (o inventor da sandui­che), escoltada por uma frota de 20 barcos de guerra. Mas logo à chegada a Inglaterra, a 25 de Maio, houve um percalço: o noivo não estava no porto para a receber. Isso e uma infecção que D. Catarina apanhou na garganta atrasaram a cerimónia quase uma semana. A entrada solene em Londres só ocorreu a 2 de Setembro.

 

Pouco depois do casamento, já Carlos " voltava a exibir em públi­co a sua amante principal – Barbara Villiers, conhecida por Lady Palmer, mais tarde duquesa de Cleveland, mãe de cinco dos 12 filhos bastardos do rei. D. Catarina foi persuadida pelos seus conselheiros a aceitá-la como dama de companhia.

Ao longo dos anos seguintes a rai­nha sofreu vexames e humilhações, sobretudo devido à influência vipe­rina de outra concubina real, a fran­cesa Louise de Keroualle, duquesa de Portsmouth. Quando o convívio com as duas favoritas ameaçava tomar-se entediante, Carlos II buscava outras, por desfastio.

Foi o caso de Catherine Pegge, de Eliizabeth Killigrew e das actrizes Moll Davies e Nell Gwyn. Paciente, D. Catarina aceitava a infi­delidade do rei – que, à falta de filho legítimo, ia semeando bastardos. A esterilidade da rainha serviu como arma de arremesso aos polí­ticos protestantes. O casamento com uma católica só fora aceite graças à generosidade do dote. Com D. Catarina, a Inglaterra rece­bera dois milhões de cruzados em dinheiro, a praça-forte de Tânger, em Marrocos, e a cidade e feitoria de Bombaim, na índia. Mas, com o passar dos anos e a agudização do confronto entre whigs (protes­tantes radicais) e tories (partidários do poder real), a rainha foi alvo de acusações que a apontavam como agente de Roma e impulsionadora de conspirações "papistas" contra as liberdades parlamentares. Em abono de Carlos II, diga-se que sempre protegeu a mulher das intrigas políticas.

 

No campo pessoal, o rei elogiava a beleza dos olhos de Catarina – enquanto autores ingleses, por­ventura contaminados pelo precon­ceito, deixaram um retrato pouco simpático da rainha: feia, baixinha, roliça, com os dentes salientes. Do que não restam dúvidas é do papel de D. Catarina na introdução do chá na corte britânica, na alte­ração da baixela – deve-se-lhe a substituição dos pratos de metal pela loiça de porcelana – e o seu interesse pela música.

No leito de morte, em 1685, Carlos II declarou a sua conversão ao catolicismo, provavelmente por influência da mulher. Sucedeu-lhe o irmão Jaime II, também católico – uma afronta para os ingleses, que preferiram trocá-lo por um holandês protestante, Guilherme de Orange. D. Catarina viveu em sobressalto a agitação que dominou o reinado do cunhado e culminou na "Glorio­sa Revolução" de 1689. Sempre suspeita aos olhos dos protestan­tes vencedores, só lhe foi permitido regressar a Portugal em 1692, 30 anos depois de ter partido. Em Lisboa, recolheu-se no palácio da Bemposta e, no fim da vida, teve ainda um papel político importante. Apoiou a assinatura do Tratado de Methuen, em 1703, e assumiu a regência do reino por duas vezes, em 1704 e 1705, na ausência do irmão D. Pedro II. Morreu com 67 anos, no último dia de 1705.

 

[NS_J.Ferreira]

 

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