D. MIGUEL, REI ABSOLUTO (ACLAMADO COMO SALVADOR DA PÁTRIA, ENCHEU AS PRISÕES E ALIMENTOU AS FORCAS)

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A chegada de D. Miguel a Lisboa, no dia 22 de Fevereiro de 1828, regressado de um exílio de quatro anos, foi uma festa que descambou numa orgia de violência.

Do cais de Belém, onde desembarcou da fragata Pérgola, até ao palácio, ”foi um triunfo: um trovão de vivas, um desespero de gritos, um dilúvio de flores, bandeiras, colchas, foguetes em girândolas!", descreve Oliveira Martins.

O infante, de 25 anos, garboso na farda enfeitada com penachos e galões, era para

o povo "o arcanjo S. Miguel".

Mas logo nesse dia, bandos de populares armados de cacetes começaram a percorrer as ruas à procura de liberais para os provocar e agredir. Berravam morras aos

"malhados" (como chamavam aos defensores do regime constitucio­nal) e à "canalha pedreiral" (os pe­dreiros-livres, isto é, a Maçonaria).

Os seus apoiantes cantavam: "O rei chegou, o rei chegou!

                                             E em Belém desembarcou;

                                             Na barraca [palácio das Cortes] não entrou

                                             E o papel [Carta Constitucional] não assinou!

                                             C’o papel o cu limpou!"

Era só o princípio.

Nos anos que se seguiram, Portugal foi palco de uma repressão feroz contra todos aqueles que os caceteiros migue­listas acusavam de partidários do liberalismo instaurado pela revolu­ção de 1820.

O infante partira para o Brasil com a família quando tinha apenas cin­co anos.

Os tumultos de Fevereiro de 1821, no Rio de Janeiro – em que viu o pai, D. João VI, ser obriga­do a jurar a sua adesão à revolução portuguesa -, traumatizaram

D. Miguel, então com 18 anos.

Enquanto o irmão mais velho, D. Pedro, ficou no Brasil e abraçou a causa liberal, D. Miguel voltou com os pais para Lisboa e tornou-se o chefe do partido absolutista.

Em 1824 foi desterrado para Viena de Áustria, depois do fracasso do golpe da Abrilada, que tentara derrubar o governo de D. João VI.

O rei morreu dois anos depois, sucedendo-lhe D. Pedro, imperador do Brasil. Conhecedor dos "anti­corpos" que contra ele existiam em Portugal por ter sido o principal res­ponsável pela independência brasi­leira, D. Pedro IV outorgou a Carta Constitucional e de seguida abdi­cou a favor da filha, D. Maria II, uma menina de oito anos.

Numa tentati­va de reconciliar os portugueses di­vididos entre liberais e absolutistas, perdoou "os desatinos do mano Miguel", nomeou-o lugar-tenente e combinou o seu casamento com D. Maria II.

Em troca, D. Miguel ju­rou aderir ao regime constitucional.

Entusiasmado com a recep­ção apoteótica em Lisboa, D. Miguel, sempre instigado pela mãe, D. Carlota Joaquina, renegou o juramento que fizera da Carta Constitucional e, em Julho de 1828, foi aclamado rei absoluto pelas Cortes reunidas à maneira da Idade Média: clero, nobreza e povo.

As represálias subiram de tom.

O pretexto foi a conspiração dos Divodignos – uma associação de estudantes revolucionários da Uni­versidade de Coimbra -, responsá­vel pelo assassínio de professores miguelistas.

As forcas do Cais do Sodré, em Lisboa, passaram a fazer parte do imaginário nacional. Entre 1828 e 1834 houve, segundo Oli­veira Martins, 115 enforcamentos, a esmagadora maioria por motivos políticos.

Nas prisões, sobretudo do Limoeiro, em Lisboa, e de S. Julião da Barra, em Oeiras, apodreceram dezenas de milhares de presos políticos (Oliveira Martins fala em 26 700), entre eles Borges Carneiro, um dos líderes da revo­lução de 1820, e o antigo primei­ro-ministro conde de Subserra, absolutista moderado.


 

A violência do regime levou à emigração, por razões políticas, de muitos milhares de portugueses (Oliveira Martins conta 13 700).

Em 1831, D. Pedro abdicou da coroa do Brasil, decidido a fazer da filha rainha constitucional de Portugal. Formou um exército composto por emigrados portu­gueses e por mercenários recruta­dos em França e Inglaterra e iniciou a Guerra Civil (1832-1834).

Derrotado, D. Miguel assinou a Convenção de Évora Monte e partiu para o exílio, a 27 de Maio de 1834. Desta vez não regressou: morreu em Brombach, na Alema­nha, com 64 anos.

 

(José Ferreira in NS)

 

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Uma resposta a D. MIGUEL, REI ABSOLUTO (ACLAMADO COMO SALVADOR DA PÁTRIA, ENCHEU AS PRISÕES E ALIMENTOU AS FORCAS)

  1. AnnA diz:

    Inicie a semana em alto astral e seja feliz!*.*´¨) Beijos mil ¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨da sempre Amiga ¸.•´ (… AnnAFazemos da nossa vida um espelho daquilo que somos e do que podemos vir a ser. Somos arenal que se estende apenas onde nos deixam ir,ou até onde as nossas forças o permitem. Na nossa mão está o segredo,em cada toque que deixamos está parte de nós e em cada movimento desta está um significado,um desejo. A nossa cara torna-se paradeiro de mil e uma coisas,muitas sensações onde só a agua nos faz sentir uma sensação de bem estar como se chegásse através dos poros da pele à nossa alma lavando tudo. Todos os dias somos como o brotar de uma flôr e ao acordar é como se nascessemos outra vez porque todos os dias nos é dada uma nova oportunidade de o fazer e podemos fazê-lo de maneira diferente como se de outra flôr se tratásse. E todos os dias podemos mudar a nossa história e escrever a nossa vida de maneira diferente,cada dia representa um volume novo e mesmo repetindo o que se faz o que pensamos nunca é o mesmo,porque temos o dom de poder existir e reflectir sobre tudo,temos o poder de pensar. De admirar o que vemos mesmo à nossa frente e sentir emoções enormes ao fazê-lo.Se o ser humano não existice não haveria nenhum ser capaz de admirar este mundo e até contar a história deste,temos o dom de o alterar e podemos fazer disso uma coisa boa ou má porque o que temos de bom é igualado pelo que temos de mal. Se um dia a humanidade desaparecer quem contará a nossa história?Visto que a madeira com o tempo apodrece,o papel desintegra-se,os monumentos vão abaixo e com o passar dos anos são engolidos pela natureza. No tempo da terra somos uma fracção de segundo,no nosso somos uma vida. Fica bem Amigo!

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