RAINHA D. LEONOR, A FUNDADORA DAS MISERICÓRIDAS

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Quando morreu, a 17 de Novembro de 1525, a rainha D. Leonor era uma das pessoas mais ricas de Portugal.

Conheceu de perto quatro reis: o tio D. Afonso V, o primo e marido D. João II,

o irmão D. Manuel I e o sobrinho D. João III.

Foi responsável pela maior rede de assistência social de que há memória em Portugal – as misericórdias – ao criar, em 1498, a primeira delas, a Misericórdia de Lisboa.

Por ironia da história, a mulher que fundou a mais impor­tante obra de caridade do país foi acusada pelo historiador Anselmo Braamcamp Freire de ter cometido uma "feíssima falta de caridade": negou-se a acompanhar os últi­mos momentos do marido, que morreu aos 40 anos, com suspei­tas de ter sido envenenado.

 

D. Leonor nasceu na mais alta nobreza de Portugal.

Era filha do infante D. Fernando e de D. Brites (ou Beatriz), neta paterna do rei D. Duarte e neta materna do primeiro duque de Bragança, D. Afonso.

Muito cedo começou a acumular uma fortuna pessoal fabulosa.

Aos 12 anos casou com o primo, o príncipe her­deiro D. João, mas só aos 15 foi assinado o Contrato matrimonial.

Nessa altura, em Setembro de 1473, o irmão D. Diogo (uma vez que o pai já tinha morrido) deu-lhe de dote a vila e fortaleza de Lagos, avaliada em 10 mil cruzados de ou­ro, além das jóias e do enxoval que lhe foram dados pela mãe.

O sogro e tio D. Afonso V atribuiu-lhe rendas em Lisboa, Sintra, Torres Vedras e Óbidos.

Ainda na qualidade de princesa foi-lhe doada a vila de Sintra e, pouco depois de subir ao trono, em 1481, o marido doou-lhe, "sem no-lo ela pedir, nem outrem por ela", Aldeia Galega, Aldeia Gavinha, Alenquer, Alvaiázere, Óbi­dos, Torres Novas e Torres Vedras.

Em 1484, a política nacional e a vida familiar de D. Leonor sofreram um choque: D. João II, que no ano anterior mandara executar por trai­ção o duque de Bragança (primo de ambos), esmaga uma nova conspiração de nobres, assassi­nando pelas próprias mãos a golpes de punhal o seu cunhado D. Diogo, duque de Viseu.

A rainha ficou destroçada com a morte do irmão. Durante muito tempo viveu no temor de que a vingança do marido fosse extensi­va ao seu outro irmão, D. Manuel, duque de Beja. Este não se poupou a esforços para garantir as boas graças de D. João II e ofereceu à rainha 100 arráteis de açúcar da Madeira, por ano.

A morte do filho D. Afonso – o único que chegou à idade adulta; tinha tido outro que morrera à nascença -, na sequência da queda de um cavalo, em Julho de 1491, foi outro abalo para D. Leonor.

O príncipe herdeiro tinha casado no ano anterior com uma filha dos reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, e era a espe­rança de uma Península Ibérica unificada sob um rei português.

A mágoa pela perda do filho tornou-se mais dolorosa com a tentativa de D. João II de legitimar um bastardo, D. Jorge, e fazer de­le o herdeiro da coroa. D. Leonor opôs-se, manobrou – e conseguiu manter o seu irmão D. Manuel na primeira linha da sucessão. A vida conjugal do par real não resistiu ao litígio.

Quando D. João II, já doente, foi para o Algarve a conselho dos médicos, a rainha não o acompanhou. E quando o rei agonizou, em Alvor, em Outu­bro de 1495, recusou-se a ir ter com ele e a assistir à sua morte.

 

Viúva aos 37 anos, D. Leonor foi alvo de todas as atenções por parte do novo rei, D. Manuel I, ciente de que devia a coroa – e talvez até a vida – à irmã.

Além de acrescentar com novas terras e rendas o seu património pes­soal, mostrou o apreço em que a tinha ao nomeá-la regente durante a viagem que fez a Castela

em 1498.

Foi nesse ano e em no­me do irmão que D. Leonor criou, com o apoio do seu confessor, frei Miguel Contreiras, e de D. Jorge da Costa, o cardeal Alpedrinha, a primeira Misericórdia portuguesa. Outras se seguiram em todo o reino, sempre de acordo com "compromissos" decalcados do original: a prática das "14 obras de Misericórdia", tanto espirituais como corporais.

Morreu em 1525, com 67 anos, no palácio de Xabregas, e está sepultada no Convento da Madre de Deus, em Lisboa.

 

(J. Ferreira – in NS de 22-11-2008)

 

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Uma resposta a RAINHA D. LEONOR, A FUNDADORA DAS MISERICÓRIDAS

  1. inexistente diz:

    Isto é uma aula de historia, que gosto muito aliás.Beijos e obrigado.Continuaçao de uma boa semana e que o fim de semanaque se aproxima seja magnifico.Madalena

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