FERNÃO DE MAGALHÃES E A VIAGEM DE CIRCUM-NAVEGAÇÃO

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Fidalgo da pequena nobre­za, Fernão de Magalhães nasceu no Norte de Portugal (em Trás-os-Montes, segundo al­guns historiadores, no Porto, se­gundo outros). Veio jovem para Lis­boa e embarcou aos 25 anos na armada do vice-rei D. Francisco de Almeida, a caminho da índia, em 1505. Percorreu os pontos princi­pais do império do Oriente e parti­cipou em acontecimentos cruciais da Expansão, como a batalha naval de Diu, em 1509, e a conquista de Goa, em 1510. Na índia conheceu Francisco Serrão, futuro feitor nas ilhas Molucas, e começou a inte­ressar-se pelos locais de origem das especiarias que atraíram os portugueses ao Oriente.

De regresso a Lisboa, em 1513, partiu para Marrocos sob o coman­do do duque de Bragança e distin­guiu-se na conquista de Azamor, a ponto de ser nomeado quadri­lheiro-mor. Foi nesse cargo que caiu em desgraça: uma das suas funções era repartir o saque, e foi acusado junto do rei de o ter feito de forma pouco transparente.

D. Manuel recusou-lhe por duas ve­zes o pedido de aumento da tença. À segunda recusa, Magalhães abandonou a corte e foi propor os seus serviços ao rei de Espanha.

 

Em 1517, Fernão de Magalhães chegou a Sevilha, onde conheceu dois poderosos elementos da corte espanhola: Juan de Aranda, feitor da Casa da Contratação, e o bispo de Burgos, membro do Conselho das índias.

Magalhães convenceu­-os de que era capaz de realizar o projecto em que trabalhava há anos, a descoberta do caminho para as ilhas produtoras de especiarias, as Molucas, navegando para ocidente, de maneira a atingi-las por mares que, ao abrigo do Tratado de Torde­silhas de 1494, não estivessem re­servados a Portugal.

Aranda e o bispo puseram Maga­lhães em contacto com o rei Car­los I de Espanha (que em 1519 se tornou também imperador Carlos V da Alemanha). Depois de uma ne­gociação regateada acordaram nos termos da expedição. Maga­lhães cobrava um soldo de 50 mil maravedis e, ao comando de uma esquadra de cinco naus (Trinidad, San Antonio, Concepción, Victoria e Santiago), com uma tripulação de 265 homens, ficava incumbido de tomar posse das Molucas para a coroa espanhola.

A primeira circum-navegação da Terra começou em Setembro de 1519. De San Lúcar de Barrameda, os navios rumaram às Canárias e dali para o Brasil. Chegaram à baía do Rio de Janeiro em Dezembro e seguiram a costa para sul. Em Fe­vereiro de 1520 atingiram a foz do Rio da Prata e a 31 de Março esta­vam na baía de S. Julião. Maga­lhães decidiu passar ali o Inverno. Durante os meses seguintes esma­gou uma revolta e perdeu duas naus, a Santiago naufragou e a San Antonio voltou a Espanha na sequência de um motim.

Cinco meses depois a esquadra fez-se ao mar a 18 de Outubro, já reduzida a três navios. A 21, as naus inter­naram-se num estreito fustiga­do por violentas tempestades. Só descobriram a saída em meados de Novembro. Maga­lhães baptizou-o “Estreito de Todos os Santos", porque passara nele o dia de Todos-os-Santos. Ao saírem do estreito, os marinhei­ros tinham deixado o Atlântico

e navegavam noutro oceano, a que chamaram Pacifico, por contraste com os temporais que antes tinham encontrado. Mais tarde, Carlos V determi­nou que a passagem do Atlân­tico para o Pacifico se chamas­se Estreito de Magalhães.

A travessia do Pacífico dizi­mou a tripulação, assolada pela fo­me, a sede e o escorbuto. Em Mar­ço de 1521, Magalhães chegou a um arquipélago a que chamou de S. Lázaro, mais tarde denominado das Filipinas, em honra de Filipe II.

Aportou a Cebu, onde estabeleceu relações comerciais com o rei local.

As coisas não correram tão bem com o rei da ilha vizinha de Mactan. Magalhães desembarcou ali com um grupo armado, disposto a obri­gá-lo a submeter-se, e foi abatido pelos indígenas, em Abril de 1521.

Escolhidos para chefiar a expedi­ção, Duarte Barbosa e João Serrão quiseram vingar Magalhães. Barbosa foi morto, Serrão preso, e os sobreviventes fizeram-se ao largo. Juan Sebastian de Elcano tornou­-se o novo comandante. A bordo

da Victoria, Elcano completou a circum-navegação iniciada três anos antes por Magalhães: chegou a San Lúcar de Barrameda em Se­tembro de 1522. Dos 265 homens que tinham partido, voltaram 18.

 

O facto de Fernão de Magalhães ter concretizado a sua odisseia ao serviço de um rei espanhol não lhe retira o mérito. Pelo contrário. É admirável que tenha conseguido montar uma expedição desta envergadura num país que não era o dele.

Segundo Gonçalves Neves, “Fernão de Magalhães representa um grupo de homens que saíram de Portugal e projectaram o seu saber para fora das fronteiras”.

Nunca deixou de ser português. Foi graças a ele que Portugal esteve no início da globalização.

 

[in NS-J. Ferreira, RTP]

 

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2 respostas a FERNÃO DE MAGALHÃES E A VIAGEM DE CIRCUM-NAVEGAÇÃO

  1. inexistente diz:

    Beijos e uma boa semana.Espero que estejas bem.madalena

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