ANTÓNIA RODRIGUES

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Natural da Freguesia da Apresentação, em Aveiro, Antónia Rodrigues, também conhecida como Antónia de Aveiro, era filha de Simão Rodrigues, marinheiro, e de Leonor Dias.

Seu pai dedicava-se à vida marítima e, ao que parece, fez algumas viagens à Terra Nova, quando da barra de Aveiro saía anualmente para aquelas paragens um grande número de embarcações para a pesca do bacalhau.

A mãe tratava dos trabalhos domésticos, sempre pesados e sempre complicados, porque era grande a sua prole.

Os trabalhos marítimos, as doenças e não poucas contrariedades acabrunharam demasiadamente Simão Rodrigues que, rodeado de filhos e de miséria, se viu obrigado a mandar esta filha para Lisboa, onde haveria de viver com uma irmã, cujo nome se ignora, mas que lá estava casada e em melhores circunstâncias.

Pouco depois de haver chegado a Lisboa, manifestou um génio altivo e sempre impróprio da sua idade e da sua humilde posição. Repugnavam-lhe os trabalhos domésticos e recusava-se a executar os que eram próprios do seu sexo.

Em virtude da sua índole livre e insubmissa, tanto a sua irmã como o cunhado, admoestavam-na, repreendiam-na, chegando mesmo a ameaçá-la e espancá-la.

O procedimento daqueles cônjuges não abateu o génio irascível de Antónia Rodrigues, que fugia de casa com muita frequência.

Decidiu então, em 1593, radicalizar a sua forma de vida, disfarçou-se de homem, adoptou o nome de António Rodrigues e conseguiu emprego na tripulação de um navio carregado de trigo, que zarpou para a possessão portuguesa de Mazagão, em Marrocos.

Ela própria cortou os seus cabelos e, vestida com as roupas que havia comprado, apresentou-se ao capitão da caravela, pedindo-lhe que admitisse António Rodrigues, como simples grumete e sem remuneração, além do frugal sustento, que durante a viagem poderia receber como qualquer dos seus companheiros.

O capitão estimava o grumete e, tanto na viagem como em terra, afirmava que António Rodrigues viria a ser um grande náutico, que muito havia de honrar a marinha portuguesa. Mas o grumete não quis voltar na mesma caravela e, desejoso de novas e variadas empresas, despediu-se do capitão, que manifestou por isso um íntimo desgosto.

Sem incidente notável, entrou a caravela em Mazagão. O jovem grumete tratou de despedir-se do serviço marítimo. Nem todos os escritores estão de acordo quanto aos motivos que levaram o jovem grumete a tomar esta decisão. Ou o próprio capitão despediu o grumete, por já não precisar do serviço deste; ou este se deu por despedido, por querer entrar em aventuras, seguindo outro modo de vida.

Posteriormente, dirigiu-se ao governador militar da praça e tratou de alistar-se, como simples soldado. O governador aceitou essa voluntária proposta, admirando a beleza e a elegância daquele jovem aveirense.

Mazagão era uma praça do império de Marrocos, na Província de Duquela, distante dez quilómetros de Azamor. Pertenceu, desde 1502, aos portugueses, que logo a fortificaram e a fizeram ocupar militarmente. Em 1769, foi abandonada aos mouros, depois de lhe serem destruídas as fortalezas.

Em 1562, fizeram ali os mouros diversas tentativas, para se apossarem da praça, mas num encontro foram vergonhosamente repelidos.

António Rodrigues, agora como soldado, mostrava-se sempre intrépido nos combates e hábil no manejo das armas, pelo que chegou a ser incumbido do comando de algumas tropas em diversos recontros.

Um dia soube que os mouros pretendiam fazer uma sortida de noite  aos campos mais próximos e destruir as searas, que então estavam muito abundantes e quase maduras. Animou-se pelo ensejo de alcançar maior glória e pediu ao governador da praça que lhe entregasse um troço de tropas, para, sob o seu comando, fazer uma derrota completa nas hostes mauritanas. O governador acedeu ao pedido, esperando que António Rodrigues cumpriria com valor o que prometera por dedicação.

Quando os mouros menos os esperavam, aparece o jovem militar com a sua tropa e com tanta valentia se houveram os portugueses, e tão bem comandados foram, que os invasores tiveram de fugir feridos e envergonhados. António Rodrigues entrou em Mazagão, ouvindo as aclamações de vitória e recebendo os maiores elogios.

Por este e já por outros feitos foi elevado a oficial, sendo então integrado à cavalaria da praça.

Pelas suas seguidas e brilhantes actuações militares, ficou conhecido como o terror dos mouros e ganhou a estima e o respeito de todos.

 

Não poucas damas se apaixonaram por António Rodrigues e ele facilmente deixava alimentar essas paixões, para assim poder mais facilmente encobrir a verdade do seu sexo. Entre aquelas damas, conta-se principalmente D. Beatriz de Meneses, filha de D. Diogo de Mendonça, um dos principais fidalgos, dos que então viviam em Mazagão. E tanto se apaixonou que adoeceu gravemente, chegando o pai, que muito a estimava, a recear que ela sucumbisse.

D. Diogo entendeu-se com o governador da praça, insinuando-lhe que obrigasse António Rodrigues a desposar D. Beatriz. Chamado o jovem oficial à presença do governador e tendo ouvido a proposta do casamento, corou, tremeu e perdeu completamente a coragem.

Depois de muita insistência por parte do governador, Antónia Rodrigues pediu para que não a castigassem; e, entre soluços, declarou que não era homem. Contou então toda a sua história e pediu perdão, por haver vivido com tal disfarce.

O governador fez logo espalhar por toda a praça aquela notícia. Antónia Rodrigues vestiu os trajes do seu verdadeiro sexo e foi levada pelas ruas de Mazagão, ouvindo as aclamações do povo, que lhe dava o epíteto de cavaleira aveirense.

Logo que se soube o verdadeiro sexo de Antónia Rodrigues, como era formosa e inteligente, não faltaram pretendentes que a desejassem para esposa. Entre eles escolheu Antónia um brioso oficial, cujo nome se ignora. O seu casamento foi celebrado com grandes festejos, assistindo ao acto as pessoas de posição mais elevada.

Quando Antónia Rodrigues tinha trinta e cinco anos, voltou para Portugal, em companhia de seu marido e de um filho, que ainda era criança. Pouco depois ficou viúva.

El-rei D. Filipe, II de Portugal e III de Espanha, achava-se então em Lisboa e desejou muito conhecê-la. Efectivamente, foi-lhe apresentada Antónia Rodrigues. O monarca muito admirou e bem recebeu a célebre heroína, que a recompensou pelos serviços prestados, conferindo-lhe diversas condecorações reais tanto a ela como a sua família. A partir de então a sua vida ficou envolta em mistério e pouco se sabe sobre seus dados familiares.

Não se sabe onde nem em que data faleceu esta heroína aveirense, assim como nada se sabe a respeito do filho, nem se este deixou descendência. É possível que a mãe e o filho houvessem falecido em Madrid, onde então era a Corte.

 

(Pesquisa e adaptação a partir de vários sites da internet)

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5 respostas a ANTÓNIA RODRIGUES

  1. AnnA diz:

    Era uma vez um jovem que caminhava ao lado do seu mestre.Ele perguntou:- Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes. Algumas são indiferentes, outras mentirosas… sofro com as que caluniam… – Pois viva como as flores! – advertiu o mestre. – Como é viver como as flores? – perguntou o discípulo. – Repare nestas flores – continuou o mestre – apontando lírios que cresciam no jardim. Elas nascem no esterco, entretanto são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas… É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros nos importunem. Os defeitos deles são deles e não seus. Se não são seus, não há razão para aborrecimento. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora… Não se deixe contaminar por tudo aquilo que o rodeia… Assim, você estará vivendo como as flores!Feliz semana!Beijos mil!AnnA

  2. inexistente diz:

    Beijos Mario!Obrigado pela imagem estava muito bonita.Sei que gostas de historia, mas nao consigo escolher uma musica para ti, nada no teu blog me diz além de que gostas de historia e isso eu tb, nada me dá uma ideiade quem és ou como és…gostaria de te ter deixado um link mas nao sei e olha que é raro conheço muita gente e consigo ver…a ti não…um beijomadahttp://i216.photobucket.com/albums/cc119/madalenab/roseeterne.png

  3. Eternamente diz:

    Cá venho eu com mais um espaço,dar-te um beijo.São espaços que saiem poucoporque nao tenho tempo.Já vi que conheces bem a minha cidade…kissMadalena

  4. Carmina diz:

    En la balanza,otros ojos definirán mi luz y mi tiniebla.Mi propia nobleza fue la espada enemigay navegué muy solo,sin poder elegir el arpa o el Infierno.Qué denso es el camino de dos caras.Si mentí, fue para inventarme en el vacío.Si viajé sin llegar a la muerte,fue para mí un misterio.Vengo desde un pozoadivinando el mundo entre la incertidumbre,mientras un viejo siglo cruzaante ese juez más sabio que es el tiempo —————————————————- Desejo-lhe uma semana felizvocê está super feliz.Peço que você deixe o seupoemas e mensagens no meu blog,agredeceria you so much, pode haverser fornecido no livro de visitas, não,perdido, e também para escrever o poema quee eu o levei para buestro blog, assim que você deve fazer o mesmo.Um abraço Carmina.Y me llevo tu escrito para traducirlo y saber que sabes de la historia,que seguro que sera interesante.

  5. inexistente diz:

    http://i216.photobucket.com/albums/cc119/madalenab/desert2.jpg http://www.youtube.com/watch?v=3354flS1KJs Beijinhos e Uma Semana Maravilhosa. Já agora aproveito para desejar que o mês de Dezembro seja passadocom alegrias, saude e algum dinheiro.é o mês do nascimento do Salvadorque possa então ser um mês de reflexão e de auxilio. Abraços desta amiga madalena Un Grand Sommeil Noir Sono escuro, enorme,A cobrir-me a vida:Dorme, esperança, dorme.Tão apetecida!Não vejo ninguém,Já perco a memóriaDo mal e do bem…Ai que triste história!No fundo da vala,O berço que souAlguém mo embala:Caluda, calou! Paul Verlaine BEIJOS MARIO!

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