A REVOLUÇÃO DE SETEMBRO

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No verão de 1836, o regime liberal instaurado com o fim da guerra civil, dois anos antes, vivia em crise permanente. Os gover­nos afundavam-se na corrupção e distribuíam entre os seus apoiantes as riquezas resultantes da pilhagem das ordens religiosas e da venda dos bens nacionais: ficaram para a história como os devoristas.

Insatisfeitos com a repartição desigual do poder e dos "empre­gos", os chefes civis e militares das diferentes facções não se entendiam. À margem da reduzida classe política (para se poder votar era preciso ter rendimentos avultados e para se ser eleito ainda mais), o povo vivia à míngua. Sucediam-se os desacatos nas cidades e o banditismo nos campos.

Em Julho, o Governo chefiado pelo duque da Terceira entrou em choque com as Cortes e obteve da rainha D. Maria II a dissolução da Câmara dos Deputados. Nas eleições que se seguiram, apesar de o Gover­no ter ganho com larga maioria, a oposição venceu nas Beiras, no Algarve e sobretudo no Porto, onde em 28 deputa­dos elegeu 27.

Os oposi­cionistas eram chefia­dos pelos irmãos Manuel e José da Silva Passos, que representa­vam os interesses da burguesia comercial e industrial da capital do Norte.

Em Lisboa, o clima social era escaldante. O preço do pão não parava de aumentar, enquanto os ordenados dos funcionários públicos e dos operários eram pagos com atraso, quando eram.

A extrema esquerda da época manipulava o descontentamento popular a partir dos clubes políticos, com destaque para o dos Camilos – que em 1838 deu lugar ao dos arsenalistas, por ter passado a reunir no Arsenal -, onde dava nas vistas pelo seu radicalismo o jovem Costa Cabra!.

A 9 de Setembro de 1836, os deputados eleitos pelo Porto chegaram a Lisboa a bordo do vapor Napier.

O Governo tinha proibido manifestações mas, às quatro da tarde, Passos Manuel e companheiros desembarcaram no Terreiro do Paço apinhado de gente, entre foguetes e vivas. Desfilavam a caminho das Cortes, em S. Bento, quando começaram a ouvir-se "morras" à Carta e "vivas" à Constituição de 1822.

A Guarda Municipal foi enviada contra os manifestantes mas confraternizou com eles e o mesmo fez o exército.

Um conhecido activista dos clubes radicais, Soares Caldeira, assumiu-se como porta-voz da revolução e fez chegar à rainha o pedido para que proclamasse a Constituição vintista, enquanto os populares exaltados marchavam para o palácio real e dai para Campo de Ourique, onde passaram a noite.

No dia seguinte, D. Maria II demitiu o duque da Terceira, restaurou a Constituição de 1822 e deu posse ao Governo "setembrista" presidido pelo conde de Lumiares, mas na verdade dominado por Sá da Bandeira e Passos Manuel.

Em Novembro de 1836, com o apoio do povo e da recém­-criada Guarda Nacional, os setembristas desfeitearam o golpe da Belenzada, patrocina­do pela rainha e pelo príncipe consorte D. Fernando.

Até à reunião das Cortes Constituintes, em Janeiro de 1837, o Executivo governou sem Parla­mento, logo em "ditadura". Mal os novos deputados se reuniram, manifestaram-se as dissensões entre setembristas (moderados e radicais) e cartistas. Passos Manuel não foi poupado pela es­querda radical, que lhe chamava "ditador". Magoado com a baixa política, demitiu-se a 1 de Junho de 1837. Depois do falhanço de mais um golpe da direita, a Revol­ta dos Marechais, e do êxito par­cial de um golpe da esquerda, a Revolta do Arsenal, a nova Cons­tituição foi aprovada em Abril de 1838. Tratava-se de um compro­misso entre o radicalismo da lei fundamental vintista e a Carta Constitucional que dava grande peso ao poder real. Em Abril de 1839 tomou posse o barão de Sabrosa, à frente do último Exe­cutivo setembrista. Durou pouco mais de seis meses. Sucedeu-lhe um Governo em que pontificava o ex-esquerdista Costa Cabral. Em 1842 foi este quem restaurou a Carta e passou a governar com pulso de ferro.

 

(J. Ferreira in NS – histórias da História)

 

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